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Morro dos Campeões

LUTA PELO FUTURO

herói sobre o Morro dos Campeões

O projeto teve início em 2000, com o atleta de MMA Marlon Sandro oferecendo aulas gratuitamente para seus amigos e moradores da comunidade do Santo Amaro. Hoje, conta com cerca de 70 crianças e 40 adultos. Todos eles da comunidade do Santo Amaro e da comunidade Pedro Américo. Com vagas limitadas devido ao espaço, quem comanda os treinos é o jovem atleta José Carlos “Polenguinho” que também começou no projeto, em 2003. Polenguinho como é chamado, já foi campeão mundial de Jiu-Jitsu, múltiplas vezes campeão brasileiro e estadual também, e já estreou no MMA aonde é uma grande promessa. Criado na comunidade,

Dudu começou a treinar jiu-jítsu aos 13 anos no projeto batizado para inspirar. Hoje, o lutador é símbolo da filosofia do Morro dos Campeões Santo Amaro BJJ. Em suas lutas, a comunidade arma o telão no Campo, onde acontecem as peladas da garotada, para verem as lutas do ídolo. E a torcida é apaioxada. Dedé Pederneiras, seu atual técnico, foi quem o incentivou a entrar na modalidade de MMA, na qual estreou quatro anos mais tarde. No novo espaço onde treina, no Flamengo, ele também aprendeu a lutar boxe, kickboxing e wrestling. “A luta deu direção à minha vida. Você aprende a ter disciplina, a focar no objetivo, sabendo que o caminho é longo, mas é prazeroso e vale todo esforço, que com fé e muito garra você chega lá.” ressalta Dudu Dantas. – Eu fui uma criança obesa, hiperativo, muito agitado. As artes marciais deram direção à minha vida. Você ganha controle do corpo e das atitudes. Eu me apaixonei pelo Jiu-jítsu e comecei a querer treinar mais e mais.

O projeto só tinha aulas três vezes por semana, mas eu queria fazer todo dia, por isso procurei a academia do Dedé Pederneiras. Aí comecei a competir, fui campeão estadual, campeão brasileiro, ganhei a Copa Rio, participei de diversos campeonatos pelo Brasil. O jovem que vê que os outros têm tudo e ele não tem condições aprende, pelo professor, que o caminho é conquistar aos poucos, com uma base forte e sólida. Com garra – diz, batendo o pulso nas mãos esculpidas pela luta. Quando você é adolescente você não entende porque seus colegas da rua tem roupa de marca e você não tem, que o garoto que entra pra tráfico começa a se vestir bem e as meninas começam a paquerar mais ele do que você. Você se sente excluído e o espelho mais próximo é o traficante. Já cheguei a achar que o caminho mais fácil era esse. É um caminho sem volta, graças a Deus eu tinha o Jiu-jitsu como inclusão social e assim me sentia igual a todos dentro do tatame, com uma base forte, sem vaidade e sem ego. Logo me tornei um jovem determinado, focado e competitivo. O esporte muda vidas!

Acompanhado em seus gestos pelas crianças, ele conta sua história de superação. Aos 3 anos, perdeu o pai, vítima de hepatite. A mãe trabalhou como cuidadora de idosos para criar os dois filhos. Hote, tem um campeão e uma empresária. A irmã de Dudu se formou em Marketing e abriu uma empresa. Agora, ele quer ampliar os horizontes dos meninos da comunidade através do esporte. – Somos o que acreditamos ser. Não existe nada melhor do que ter um sonho e ter saúde para lutar por ele. – conta Dudu, consciente da sua responsabilidade: – Faço questão de vir aqui. É o espelho. O jovem tem que ter exemplos bons. Os meninos têm talento. Quero que acreditem que podem chegar lá. Depende deles, mas também sei que precisam de uma oportunidade assim como eu também tive. – Sempre, depois da luta, faço questão de ir até lá conversar com as crianças e mostrar o cinturão. Acredito que aqueles que são de comunidade, como eu era, têm que ter um bom espelho por perto. Eu mostro que eles podem seguir pelo esporte também, pelo caminho das artes marciais, que é uma questão de escolha e determinação. No meu caso, foi uma brincadeira que virou profissão e da qual eu gosto muito – declara Dudu. Dedé Pederneiras se tornou um grande apoiador deste projeto social, além de diversos lutadores que estão sempre presentes.

Fundamento
Oferecer ao jovem de comunidade carente, sem condições financeiras a filosofia do esporte, no acaso a luta. (Jiu-Jitsu). Que é desenvolver corpo e mente. Que torna o indivíduo mais seguro e auto confiante. Fazendo também que a energia do aluno seja sempre canalizada para o bem, colocando o mesmo em um ambiente saudável, onde existe fortes laços de amizades e companheirismo logo o tirando da vida improdutiva e das drogas. Problemas que atingem grande parte da juventude nos dias de hoje.

Princípio
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Acredita-se no princípio da vontade. A força de vontade muda tudo, não importa aonde estamos e sim aonde iremos chegar. A força de vontade deve ser mais forte do que a habilidade. Acredita-se na potencialidade de desenvolvimento das pessoas de baixa renda, principalmente das crianças, adolescentes e jovens, a partir do oferecimento de oportunidades de informação, formação, capacitação e participação na sociedade através do esporte. Assim como eu consegui, todos podem conseguir. Não apenas formando atletas e campeões no esporte, mas sim cidadão do bem. Acredita-se que todas as pessoas podem ser sujeitos da sua própria transformação social, desde que lhe sejam dadas condições, oportunidades para buscar e alcançar esta transformação.
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Texto: matérias adaptadas do jornal Extra, de 24/11/2016 e O Globo | Zona Sul de 01/12/2016. Fotos: Marcelo Theobald.